Marjorie Estiano em entrevista

Atriz diz que absorveu sensualidade da personagem prostituta e diz que olhares do público provocam ciúmes no namorado.

Atriz diz que absorveu sensualidade da personagem prostituta e diz que olhares do público provocam ciúmes no namorado.

Meu namorado gostou de me ver no papel (de prostituta), mas não gostou de ver que os outros homens também gostaram”. Dita com indisfarçável deleite, a frase dá bem a dimensão da metamorfose sofrida por Marjorie Estiano para viver a sedutora Christine em “Inverno da Luz Vermelha”, espetáculo dirigido por Monique Gardenberg que faz curta temporada no Teatro Gláucio Gill, no Rio, depois de passar por São Paulo e Brasília. Acostumada a representar mulheres “quase assexuadas”, a atriz, de 29 anos, vem surpreendendo o público ao abusar da sensualidade para dar as cartas em um triângulo amoroso, do qual fazem parte também David (André Frateschi) e Matheus (Rafael Primot). “Até eu fiquei surpresa”, conta Marjorie, que diz ter herdado a sexualidade latente da personagem: “Tenho desfrutado disso na minha vida pessoal”.


Sua personagem, a Christine, é uma prostituta. Você disse que teve receio de interpretá-la ao ler o texto. O que você temia?

Nunca havia abordado ninguém usando este tipo de sedução. Não me via nessa persona. Temi por conta deste desconforto, que é normal diante daquilo com que você não está familiarizado. Mas acho saudável buscar isso. Prefiro apostar no que ainda não fiz e me tornar mais completa a me especializar naquilo que já sei.

Você se diz tímida, mas afirmou em entrevista que nunca teve problemas com sexo. Sua personagem é sexy e sedutora. Você precisa se esforçar para transmitir essa sensualidade?
Não tenho de me esforçar, mas fui descobrindo melhor como transmitir isso. Me considero tímida, mas nunca fui travada a ponto de deixar de me expressar. Minha maneira de seduzir nunca foi a mesma da personagem, que usa o corpo e é mais explícita. Vejo isso em amigas e não é apenas em situações de flerte, mas para se comunicar mesmo. Acontece naturalmente. Eu sempre seduzi mais pela espontaneidade ou por uma interação mais ágil. Mas a sensualidade da Christine saiu de dentro de mim. Quando atuamos, potencializamos algo que já existe em nós.

Você brincou dizendo que pede para levar os figurinos da peça para casa. De que forma essas peças de roupa te ajudam a encarnar a personagem?
Foi realmente uma brincadeira, mas, sem dúvida, o figurino por si só já inspira uma postura e uma atitude condizente com a personagem. Já nos ensaios eu usava a bota e alguns outros elementos para ajudar a compor a Christine. Adoro os acessórios que ela usa, a saia, a bota comprida e brilhante, a meia arrastão. Quando visto, me distancio de mim.

O público não estava acostumado a te ver interpretando mulheres sensuais. Como tem sido a reação? Que tipo de comentário você tem ouvido?
O público realmente se surpreende bastante. É natural. Eu também me surpreendi comigo. As outras personagens que havia feito eram praticamente assexuadas enquanto essa tem o sexo praticamente como questão principal. As pessoas não te imaginam dessa forma até te verem assim. É bacana brincar com as expectativas das pessoas. Tenho ouvido comentários como “você está muito bonita”, “a peça é muito excitante” e sobre o meu corpo. É curioso também ver como as pessoas têm enxergado uma evolução profissional minha, que eu associo a esse poder que a sexualidade tem. Dizem: “Agora ela é uma mulher”.

Você acredita que uma personagem como essa pode mudar a sua maneira de encarar o sexo?
A Christine já mudou o meu comportamento. Fazer esse papel é uma terapia. As questões dela provocam uma reflexão ainda que você não concorde com as decisões da personagem. Posso dizer que, agora, também tenho essa sensualidade latente e tenho desfrutado disso na minha vida pessoal.

O que o seu companheiro (o músico André Aquino, de 36 anos) achou disso tudo?
Ele gostou do trabalho, apesar de ter tido algumas recaídas de ciúmes. Agora, ele já consegue se distanciar melhor e até comentar as apresentações. Mas isso foi resultado de um processo. Ele gostou de me ver no papel, mas não gostou de ver que os outros homens também gostaram. Nas duas primeiras apresentações, segurou a onda, mas, na terceira, estourou.

Mas ele percebeu essa sua mudança de comportamento?
Não foi bem um workshop de posições sexuais. É mais sutil. Faz mais diferença para mim mesmo no que diz respeito à autoconfiança. Agora, me sinto mais à vontade nessa persona da Christine.

Como foi a resposta do público nas temporadas realizadas em São Paulo e Brasília?
Percebemos que a peça é mais engraçada do que pensamos que pudesse ser. As pessoas se identificam com questões como a solidão e fragilidade das relações, que são cada vez mais comuns.

Foi feita alguma mudança para a temporada carioca?
A gente sempre vai descobrindo mais elementos da personagem a partir das diferentes reações do público, mas estamos esperando para ver como os cariocas vão se comportar antes de pensar em alterações.

#Fonte: Globo.com/agentesevenoteatro

31/03/2011 - Por Jéssica às 15:11 em EntrevistaInverno da Luz VermelhaNotíciasTeatro comente!
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